Ir para o texto
Biblioteca

Meridionais

Sabor das lágrimas

A bela grega Hermé, que vai cativa,
Não chora, não, — mas seu olhar revede:
Vereis que dele amor brota e deriva,
Amor que a prende na inefável rede.
Quando o deserto vem e a vista o mede
Tão grande! Hermé, que à voz dos mais se esquiva,
— « Dá-me tu de beber, que eu tenho sede » —
Diz ao que perto tem, que amor lhe aviva.
Filho da mesma terra, o prisioneiro,
Belo como ela, — em roda olha o caminho...
Água não vê, mas chora, e o derradeiro
Pranto dá-lhe a beber na mão tomado...
E ela ao sorvê-lo: « Inda é melhor que o vinho
Bebido em grego ciato dourado! »

Sobre esta edição