Sonetos e Poemas
VII
Mazeppa
À anca brutal do tártaro cavalo,
Vede-o: lá vai na rápida corrida,
A brusco solavanco e rude abalo,
Pelos campos da Ucrânia, a toda a brida.
Corre, voa o corcel! não há domá-lo!
E a campina, a floresta enegrecida
Cheia de lobos, e a corrente, e o valo
Corta e cruza na sanha enfurecida.
Quantos, como o polaco, arrebatados
Leva o ginete audaz do pensamento
À suarenta garupa pendurados!
E em vão forcejam por soster com os braços,
Entre o ar que assobia e o firmamento,
O incansável corcel de alados passos!