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Sonetos e Poemas

VIII

Sombra

Mulher, não te conheço! (G. Crespo)
Vens de um sepulcro, as cinzas remexendo,
Os ossos que encontraste à mão reunindo;
Fria, palidamente fria, e enchendo
De pranto o horror da morte averno e infindo.
E que sepulcro descoberto e horrendo
É esse? Olho-o e conheço, a um tempo ouvindo
N'ele os meus e os teus ais que em som tremendo
Vão-se, ao modo dos lêmures, carpindo.
Vens do passado, Sombra, e uivando choras...
Seguem-te empós, — cadáveres medonhos,
Meus dias mortos, lívidas auroras.
Mas que me queres tu? Se é fome impura
Que inda te rói, sacia-te nos sonhos
Que levaste contigo à sepultura.

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