Sonetos e Poemas
XXIII
Pobre mãe!
A C. Coelho
Olhos fitos na altura, — enquanto morre
A tarde, enquanto à flor do firmamento
Correm as nuvens, — como as nuvens, corre
Até junto de Deus teu pensamento.
Ao filho enfermo, n'esse atroz momento,
Pedes que ele socorra; e enquanto escorre
O pranto, da oração no exaltamento,
Mãe sublime, supões que ele o socorre.
Mas um grito de súbito no centro
Ouves do coração pressago. Ansiando
Entras em casa. O filho está lá dentro
Morto, e ao beijá-lo lhe ouves inda, ó louca!
De teu nome saudoso o rumor brando
Das derradeiras sílabas na boca.