Sonetos e Poemas
XXIV
Só
Tal como douda garça, aos mares! Uma vela!
Uma vela! e é partir. Afronta o horror das vagas
Negras se a noite as monta e as incha o vento, às pragas,
E ao rechino e estridor do raio e da procela.
Nem todo o equóreo abismo, entre as equóreas fragas
Ruindo, urrante e estouraz, com a espuma à fauce e aquela
Luz dos ruivos fuzis como serpentes n'ela,
Pode o inferno igualar que em teu silêncio esmagas.
Rompe, atira-te ao pego, a escuridão profaça
De a venceres no horror que no teu peito engrossas;
Talha os ventos, o oceano, as ondas sulca, e passa....
Talvez longe, entre o sol de estranho clima, ao fundo
Do horizonte, há um deserto em que dormir tu possas,
Sem o incômodo olhar dos homens e do mundo.