Ir para o texto
Biblioteca

Versos e Rimas

Rede selvagem

Entre duas palmeiras se embalança
A leve rede em que, sem vida agora,
Jaz o corpo da mísera criança.
A mãe cabocla, do romper da aurora
À noite, desolada, ao pé lhe vela,
Cobre-o das folhas da taioba e chora.
Sobre ele o sassafrás verte a singela
Fragrância e os pequiás sobre ele, ao vento,
A copa inclinam, múrmura, amarela.
Por entre os tinhorões soa o lamento
Do rio, como uma oração sentida...
Esplende o sol no claro firmamento.
E junto ao berço que ali está sem vida
Alardeia seus dons, rindo e cantando,
A alma da selva, próspera e florida.
E a mãe, as negras moscas enxotando
Que tontas zumbem, cujo enxame passa
Sobre o franzino corpo miserando,
Chora. Mas o gemido, o pranto espaça...
Perto, na rósea chama matutina,
Esvoaça um beija-flor, esvoaça, esvoaça..
Como se fosse um'alma pequenina

Sobre esta edição