Dona Mística
Alma, VII
Piedosa: o olhar nunca baixou à terra.
Fitava o Céu porque era pura e santa...
Tinha o orgulho fidalgo de uma Infanta
Que entre escudeiros e lacaios erra.
Deusa nenhuma, por mais alta, encerra
Em se, talvez, misericórdia tanta:
Ainda hoje na minha Alma se alevanta
Como uma cruz no cimo de uma serra.
Foi-lhe a vida um eterno mês de maio,
Cheio de rezas brancas a Maria,
Que ela vivera como num desmaio.
Tão branca assim! Fizera-se de cera...
Sorriu-lhe Deus, e ela que lhe sorria,
Virgem voltou como do Céu descera.