Ir para o texto
Biblioteca

Apólogos

O cão e a cadela

Tinha de uma cadela um cão fome canina,
Ele bom perdigueiro, ela de casta fina:
Mil foscas lhe fazia o terno maganão,
Mas gastava o seu tempo, o seu carinho em vão.
Dando no chichisbéu dentada, e mais dentada
A fêmea parecia uma cadela honrada,
E incapaz de ceder às pretensões de amor:
Mas o amante infeliz enfim foi sabedor
De que a mesma em que via ações tão desabridas
Era co'um torpe cão fagueira às escondidas.
Se és sagaz, meu leitor, talvez que tenhas visto
Cadelas de dous pés, que também fazem isto.

Sobre esta edição