Sonetos
Amor, que o pensamento me salteias
Amor, que o pensamento me salteias
Co'as memórias d'Anália a cada instante;
Tirano, que vaidoso e triunfante
Me apertas mais e mais servis cadeias:
Doces as aflições com que me anseias,
Se ao ver-se de meus olhos tão distante
Soltasse Anália um ai do peito amante,
E o fogo antigo lhe inflamasse as veias!
Mas é talvez o exemplo das perjuras,
Outro amima talvez, enquanto eu choro,
Morrendo de saudosas amarguras;
E pelo ardente excesso com que adoro,
Ao clarão de medonhas conjecturas
Vejo o fantasma da traição que ignoro.