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Sonetos

Quando Anália, o meu bem, que o céu namora

Quando Anália, o meu bem, que o céu namora,
Meigo sorriso de outro céu desprende,
Geme, e o que é vida n'um gemido aprende
Peito, que amor, e que a existência ignora:
Quando Anália, o meu bem, suspira, ou chora,
A doce mágoa doce fogo acende;
Na estância divinal com Jove entende,
Quase tenta implorá-la o ser que implora;
Sente um Deus como sente a natureza
Aquela, em cujos dons adorno o canto,
Aquela, que a meus versos dá grandeza:
Mas (se posso antepor encanto a encanto)
Amo-lhe o riso, adoro-lhe a tristeza;
De Vênus a chorar tal era o pranto!

Sobre esta edição