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Sonetos

Ao crebro som do lúgubre instrumento

Ao crebro som do lúgubre instrumento
Com tardo pé caminha o delinquente;
Um Deus consolador, um Deus clemente
Lhe inspira, lhe vigora o sofrimento:
Duro nó pelas mãos do algoz cruento
Estreitar-se no colo o réu já sente;
Multiplicada a morte anseia a mente,
Bate horror sobre horror no pensamento:
Olhos e ais dirigindo à Divindade,
Sobe, envolto nas sombras da tristeza,
Ao termo expiador da iniquidade:
Das leis se cumpre a salutar dureza;
Sai a alma d'entre o véu da humanidade;
Folga a Justiça, e geme a Natureza.

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