Sonetos
Encantador Garção, tu me arrebatas
Encantador Garção, tu me arrebatas
Audaz vibrando o plectro venusino;
Suave Albano, delicado Alcino,
Musas do terno Amor, vós me sois gratas;
Adoro altos prodígios, que relatas
Cantor da Glória, majestoso Elpino,
Tu, que agitado de ímpeto divino
Acesos turbilhões na voz desatas:
Oh cisnes imortais do Tejo ameno!
A carrancuda Inveja em mim não cria
Víboras prenhes de infernal veneno:
O clarão, que esparzis, me acende e guia:
Culto, incenso vos dou, quando condeno
Delírios que Belmiro ao prelo envia.