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Sonetos

Ao templo do propício Desengano

Ao templo do propício Desengano
A próvida Razão guiou meus passos;
Por ver-me, louco já, mordendo os laços,
Os duros laços de um amor profano:
Ajoelho ante o númen soberano,
Mostro-lhe os roxos, os cativos braços,
Dizendo-lhe: — «Gran deus, faze em pedaços
Os ferros, que me pôs Amor tirano!»
A deidade, inimiga da Esperança,
Me responde: — «Eu te livro do flagelo
Que oprime os corações; mortal, descansa.»
Eis que, brandindo um lúcido cutelo,
Meus ferros corta, logo da lembrança
Me escapa de Marfida o rosto belo.

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