Sonetos
Mavorte, porque em pérfida cilada
Mavorte, porque em pérfida cilada
O cruel moço alígero o ferira,
Não faz caso da mãe, que chora e brada,
Quer punir o traidor, que lhe fugira:
Na sinistra o pavês, na destra a espada,
Nos ígneos olhos fuzilante a ira,
Pula à negra carroça ensanguentada,
Que Belona infernal co'as Fúrias tira:
Assim parte, assim voa; eis que vê posto
No colo de Marília o deus alado,
No colo aonde tem mimoso encosto:
Já Marte arroja as armas, e aplacado
Diz, inclinando o formidável rosto:
«Valha-te, Amor, esse lugar sagrado!»