Sonetos
Aquela, que na esfera luminosa
Aquela, que na esfera luminosa
Precedendo a manhã, qual astro brilha,
Mãe dos Amores, das espumas filha,
Que o mar na concha azul passeia airosa:
Apenas viu sorrir Nise formosa,
A quem dos corações o deus se humilha,
Do cinto desatando a áurea presilha,
No regaço lh'o pôs, leda e mimosa:
«Não te é, bem sei (lhe diz) não te é preciso;
Para atrair vontades à ternura
Basta-te um gesto, basta-te um sorriso:
«Mas deves possuí-lo, oh ninfa pura,
Como troféu, que dê ao mundo aviso
De que Vênus te cede em formosura.»