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Sonetos

Sonhei que a mim correndo o gnídeo nume

Sonhei que a mim correndo o gnídeo nume
Vinha co'a Morte, c'o Ciúme ao lado,
E me bradava: — «Escolhe, desgraçado,
Queres a Morte, ou queres o Ciúme?
«Não é pior d'aquela fouce o gume,
Que a ponta dos farpões, que tens provado;
Mas o monstro voraz, por mim criado,
Quanto horror há no inferno em si resume.»
Disse; — e eu dando um suspiro: «Ah! não m'espantes
Co'a vista d'essa fúria!... Amor, clemência!
Antes mil mortes, mil infernos antes!»
N'isto acordei com dor, com impaciência;
E não vos encontrando, olhos brilhantes,
Vi que era a minha morte a vossa ausência!

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