Sonetos
Às águas, e às areias d'este rio
Às águas, e às areias d'este rio
Às flores, e aos Favônios d'este prado,
Meus danos conto, minhas mágoas fio,
Dou queixas contra Ismene, Amor, e o Fado:
A paz do coração posta em desvio,
O gosto em desenganos sufocado,
Lágrimas com lembranças desafio,
E pela tarda morte às vezes brado:
Tão maviosos são meus ais mesquinhos,
Tanto pode a paixão que em mim suspira,
Que se esquecem das mães os cordeirinhos:
O vento não se mexe, nem respira;
Deixam de namorar-se os passarinhos,
Para me ouvir chorar ao som da Lira.