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Sonetos

Há um medonho abismo, onde baqueia

Há um medonho abismo, onde baqueia
A impulsos das paixões a humanidade;
Impera ali terrível divindade,
Que de torvos ministros se rodeia:
Rubro facho a Discórdia ali meneia,
Que a mil cenas de horror dá claridade;
Com seus sócios, Traição, Mordacidade,
Range os dentes a Inveja escura e feia:
Vê-se a Morte cruel no punho alçando
O ferro de sanguento ervado gume,
E a toda a natureza ameaçando:
Vê-se arder, fumegar sulfúreo lume...
Que estrondo! Que pavor! Que abismo infando!...
Mortais, não é o inferno, é o Ciúme!

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