Ir para o texto
Biblioteca

Sonetos

Bem hajas, oh Morfeu! A fantasia

Bem hajas, oh Morfeu! A fantasia
Que cena divinal me deste agora!
Nise, qual sai da noute a grata aurora,
Surgiu-me d'entre as sombras da agonia.
Mais belo inda a saudade me fingia
O gesto encantador, que os céus namora;
Cuido que inda me afaga, que inda chora
Pranto, que morta flor viver faria.
Graças, oh nume, de meus ais magoado!
Alta mercê meu coração te deve,
Por este acinte, que fizeste ao fado:
Só tua divindade a tal se atreve;
Mas ah! Que eras prazer de um desgraçado
Sempre mostraste, oh sonho, em ser tão breve.

Sobre esta edição