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Sonetos

Busquei n'um ermo Algânia feiticeira

Busquei n'um ermo Algânia feiticeira,
Que de abrasado feixe a par jazia;
Fui ver se atro conjuro me extorquia
Do laço antigo esta alma prisioneira:
Expus-lhe minha fé, minha cegueira,
Tracei meus males, e a rugosa estria
Cedendo às ternas mágoas, que me ouvia,
Cuspiu três vezes na voraz fogueira:
Trêmulas preces murmurou, e eu mudo;
Eis que as melenas em sinal d'espanto
Eriça com semblante carrancudo:
«Meu rito é vão (me diz) e é vão teu pranto;
O poderoso Amor zomba de tudo,
Não vence encanto algum d'Amor o encanto.»

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