Sonetos
Triste quem ama, cego quem se fia
Triste quem ama, cego quem se fia
Da feminina voz na vã promessa!
Aspira a vê-la estável! Mais depressa
O facho apagará, que espalha o dia:
Alada exalação, que na sombria
Tácita noute os ares atravessa,
Foi comigo a paixão volúvel d'essa
Que o peito me afagava, e me feria:
Do desengano o bálsamo lhe aplico,
E a teus laços, Amor, sem medo exponho
Dos benéficos céus o dom mais rico:
Vejo mil Circes plácido, risonho;
E se fé me prometem, ouço, e fico
Como quem despertou de aéreo sonho.