Sonetos
D'Elmano a Musa, que entre imagens vela
D'Elmano a Musa, que entre imagens vela,
Enquanto, oh natureza, estás calada,
Carpia do áureo Pluto abandonada,
E Pluto era de bronze aos prantos d'ela:
D'Elmano a Musa, que a memória anela,
Conforma o plectro em dor co'a voz magoada;
E dos piedosos sons tu apiedada,
Gemes, oh Lísia, oh mãe suave, e bela:
Qual arde avara sede ante um tesouro,
Pátrio amor ante o metro me flameja,
E o que em verso me extrai, me volve em ouro:
D'alma em torno a sorrir-se a Glória adeja;
E (mercê d'alta Lísia) imune o louro
Entre as sombras letais inda verdeja.