Sonetos
Da minha ingrata Flérida gentil
Da minha ingrata Flérida gentil
Os verdes olhos esmeraldas são;
É de cândida prata a lisa mão,
Onde eu d'um beijo passaria a mil:
A trança, cor do sol, rede sutil
Em que se foi prender meu coração,
É d'ouro, o pai da túmida ambição,
Prole fatal do cálido Brasil:
Seu peito delicado e tentador
É porção de alabastro, a quem jamais
Penetraram farpões do deus traidor:
Mas como há de a tirana ouvir meus ais,
Como há de esta cruel sentir amor,
Se é composta de pedras, e metais!