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Sonetos

Tragado o peito de cruéis pesares

Tragado o peito de cruéis pesares,
Em doloroso e rábido transporte,
Contra Amor, de quem pende a minha sorte,
Voavam meus queixumes a milhares:
Eis que, desde os azuis serenos ares,
Me grita o deus: — «Tua alma se conforte,
Que nem sempre o Furor, o Estrago, a Morte
Ministros hão de ser dos meus altares:
«Aquela paz, aquele gosto, aquela
Ventura, que até agora te hei negado,
Guardei nos olhos de Ritália bela.»
Disse, e limpando o rosto amargurado,
Corro da ninfa aos pés, encontro n'ela
Quanto Amor pode dar, e o Céu, e o Fado.

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