Sonetos
De emaranhadas cans o rosto cheio
De emaranhadas cans o rosto cheio,
De açacalada fouce armado o braço,
Giganteia estatura, aspecto baço,
Um velho em sonhos vi, medonho e feio:
«Não tenhas, oh mortal, de mim receio;
O Tempo sou (me diz) eu despedaço
Os colossos, os mármores desfaço,
Prostro a vaidade, a formosura afeio:
«Mas sabendo a razão de teus pesares,
Pela primeira vez enternecido,
A falar-te baixei dos tênues ares:
«Sofre, por ora, o jugo de Cupido;
Que eu farei, quando menos o cuidares,
Que te escape Natércia do sentido.»