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Sonetos

Antes eu visse matador cutelo

Antes eu visse matador cutelo
Por mão ferina contra mim vibrado,
Ou perecesse o peito esmigalhado
Pelos golpes de rígido martelo:
Antes das Fúrias o infernal flagelo
Sentisse, como Orestes malfadado,
E não das sombras d'aflição turbado
O céu, Marília, de teu rosto belo!
Das faces orvalhada a neve pura,
Rouca a voz, e na terra a vista presa,
Te observo, sem que morra d'amargura!
Tu d'esta sorte, angelical beleza?
Ai de mim! Quem terá prazer, ventura,
Se até pode no céu caber tristeza?

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