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Sonetos

Deitado sobre a relva Amor estava

Deitado sobre a relva Amor estava
Dormindo ao pé d'uma árvore sombria,
E n'um dos troncos pendurado havia
Prenhe de setas a danosa aljava:
Flora então, que d'isenta blasonava,
E do infeliz Dorindo escarnecia,
Com soberba, sacrílega ousadia,
Quis partir os farpões, que detestava:
Mas apenas lhe toca, a mão ferindo
No bico de um dos ferros penetrantes,
Grita, lavado em pranto o gesto lindo:
«Ai de mim! Firme exemplo dos amantes,
Onde estás? Vem, não temas, vem, Dorindo,
Que eu já não sou cruel como era d'antes.»

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