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Sonetos

De cima d'estas penhas escabrosas

De cima d'estas penhas escabrosas,
Que pouco a pouco as ondas têm minado,
Da lua c'o reflexo prateado
Distingo de Marília as mãos formosas:
Ah! Que lindas que são, que melindrosas!
Sinto-me louco, sinto-me encantado;
Ah! Quando elas vos colhem lá no prado,
Nem vós, lírios, brilhais, nem vós, oh rosas!
Deuses! Céus! Tudo o mais que tendes feito
Vendo tão belas mãos, me dá desgosto;
Nada, onde elas estão, nada é perfeito.
Oh quem podéra uni-las ao meu rosto!
Quem podéra apertá-las no meu peito!
Dar-lhe mil beijos, e expirar de gosto!

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