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Sonetos

Distrai, meu coração, tua amargura

Distrai, meu coração, tua amargura,
Os males que te assanha a fantasia:
Provém da formosura essa agonia?
Seja o seu lenitivo a formosura;
Por mil objetos adoçar procura
O ardor, que lavra em ti de dia em dia;
Mas oh fatal poder da simpatia!
Oh moléstia d'amor, que não tem cura!
Astúcia exercitar que te resista
Minha Anália, meu bem, debalde intento,
Está segura em mim tua conquista.
Como hei de minorar-te o vencimento,
Coartar o império teu, se as mais à vista
Valem menos que tu no pensamento?

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