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Sonetos

Vós, que de meus extremos sois a história

Vós, que de meus extremos sois a história,
Versos, por negro zoilo em vão roubados,
Nascidos da Ternura, e restaurados
C'o pronto auxílio de fiel memória:
Da Inveja conseguindo alta vitória
Ide, meus versos, em Amor fiados,
Que d'ele só dependem vossos fados,
Que n'ele só demando a minha glória:
Não vos importe o público juízo;
Da voz, que pelo mundo se derrama,
Os vivas caprichosos não preciso.
Voai aos olhos, cuja luz me inflama;
Tereis de Anarda aprovador sorriso,
Um sorriso de Anarda é mais que a Fama.

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