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Sonetos

Do Tempo sobre as asas volve o dia

Do Tempo sobre as asas volve o dia,
O ponto de meu triste nascimento;
Vedado à luz do sol este momento,
Fúrias, com vossos fachos se alumia!
Nascido apenas, pavorosa harpia
Ao berço me voou de imundo alento:
Empestando o misérrimo aposento,
Eis me roga esta praga horrenda, impia:
«Esteja sempre o bem de ti remoto,
Vivas sempre choroso, amargurado,
Dane teus dias o destino imoto.»
Caiu-me a imprecação do monstro alado,
Curto mil males, e entre sombras noto
Outros com que me espera ao longe o fado.

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