Sonetos
Para as sombras da morte aqui me ensaio
Para as sombras da morte aqui me ensaio
Na habitação da culpa e do desdouro;
Lendo no mal presente o mal vindouro,
Aqui choro, aqui tremo, aqui desmaio:
Por imagens fatais a ideia espraio,
Negreja n'uma, e n'outra infausto agouro;
Febo! Oh Febo! Ai de mim! Teu sacro louro
A fronte não me escuda contra o raio.
Sou vítima de aspérrima violência,
Sem ter quem dos meus males se lastime
N'este horrível sepulcro da existência:
Mas peso dos remorsos não me oprime;
A sussurrante, a vil Maledicência
D'erros dispersos me organiza o crime.