Ir para o texto
Biblioteca

Sonetos

Em frágil lenho o pélago cruzando

Em frágil lenho o pélago cruzando,
Nos turbilhões das vagas envolvido,
A razão se me esvai, perco o sentido,
Na triste vida minha imaginando:
Cedo a Morfeu: — a mente flutuando
Põe ante mim o deus, que impera em Gnido,
Do arco aguda seta enfurecido
Vai ao peito de Anália disparando:
Trêmulo, insano, exausto, delirante,
Brado ao númen feroz: — «Espera, espera,
Não firas, poupa um coração constante.»
N'isto o deus mostra o coração da fera;
Vi-te, pérfida, e disse agonizante:
«Da lembrança riscar-te, ah quem podéra!»

Sobre esta edição