Sonetos
Quis, Marília gentil, cantar teu dia
Quis, Marília gentil, cantar teu dia,
Teu dia grato a Amor, grato à ventura,
Pintar-te a graça, o riso, a formosura,
Princípios de inefável simpatia:
Ao pai da claridade, e da harmonia
Roguei canções de singular brandura;
Mas sempre mais e mais a mente escura
N'um tumulto de ideias se perdia:
Eis o deus, que da aurora aviva os lumes,
Me diz: — «Porque tens nome entre os humanos,
Objetos divinais cantar presumes?
«Subjuga dentro d'alma os sons profanos;
Muda em culto o louvor; celebrem numes,
Mortais adorem de Marília os anos.»