Sonetos
Em verso torneado ao som da lira
Em verso torneado ao som da lira
Eu canto amor, a formosura eu canto;
Por teus olhos gentis, que podem tanto,
Arde meu coração, treme, suspira:
Audaz competidor, esse que aspira
De teus carinhos ao celeste encanto,
Grosseiro e carrancudo infunde espanto,
Da bruta estupidez nas sombras gira.
Ao vê-lo assim, e ao ver minha amargura,
Mal que ele a ti dirige a vista acesa,
Todos ao meu temor chamam loucura:
Ah! Vem d'alta razão minha tristeza;
Não receio o rival, temo a Ventura,
Porque o pôde vingar da Natureza.