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Sonetos

Excedo lustros seis por mais três anos

Excedo lustros seis por mais três anos,
Mas bem que juvenis meus anos sejam,
Já murcham de agonia, e já me alvejam
Não raros na cabeça os desenganos.
Os fados, meus verdugos, meus tiranos,
Que de Pandora o cofre em mim despejam,
Folgam de que os mortais nas cans me vejam
Tristes amostras de frequentes danos.
Parece que devia a formosura
Vingar-me dos cruéis comigo irados,
E da ternura o prêmio ser ternura:
Mas Nise (oh vãos extremos desgraçados!)
Na trança infausta branquear procura
O resto escuro, que escapou aos fados.

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