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Sonetos

Fatais memórias da traidora Alcina

Fatais memórias da traidora Alcina,
D'aquela que encantou meu pensamento;
Se vos quero sumir no esquecimento,
Não o consente Amor, que me domina.
Que é da razão, que as almas ilumina?
Por que não põe limite a meu tormento?
Ah! que mal que a definem, se exp'rimento
Que não pode evitar-nos a ruína!
Do que estorvar não sabe ela murmura;
Deixando-me os efeitos perigosos
De amorosa, frenética amargura:
E inda são para mim menos penosos
Os horrores da minha desventura,
Que a vista, que o prazer dos venturosos.

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