Sonetos
Não dês, encanto meu, não dês, Armia
Não dês, encanto meu, não dês, Armia,
Ternas lamentações ao surdo vento;
Se amorosa impaciência é um tormento,
Com ledas esperanças se alivia:
A rigorosa mãe, que te vigia,
Em vão nos prende o lúcido momento
Em que solto, adejando o pensamento,
Sobe ao cume da glória, e da alegria:
As fadigas d'Amor não valem tanto
Como a doce, a furtiva recompensa
Que outorga, inda que tarde, aos ais, e ao pranto:
Amantes estorvar, que astúcia pensa?
Tem asas o desejo, a noute um manto,
Obstáculos não há, que Amor não vença.