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Sonetos

Folheando os anais da antiguidade

Folheando os anais da antiguidade,
Lendo n'eles, oh Píramo, o teu fado,
Vendo o peito d'Elisa atravessado
Do ferro, que empunhou cruel saudade:
Chamado pela voz da Liberdade,
Do Desengano pela mão guiado,
Fui jurar da Razão no altar sagrado
Rancor eterno à cega divindade:
Mas o traidor, que aos mesmos céus se atreve
Notando no meu voto o seu desdouro,
De fazer-me perjuro astúcias teve:
Mostrou-me de mil graças um tesouro,
E obrigou-me a beber por mãos de neve
«Refinado veneno em taça d'ouro.»

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