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Sonetos

Quando na rósea nuvem sobe o dia

Quando na rósea nuvem sobe o dia
De risos esmaltando a natureza,
Bem que me aclare as sombras da tristeza
Um tempo sem-sabor me principia:
Quando por entre os véus da noute fria
A máquina celeste observo acesa,
D'angústias, de terror a imagens presa
Começa a devorar-me a fantasia.
Por mais ardentes preces, que lhe faço,
Meus ais não ouve o númen sonolento,
Nem prende a minha dor com tênue laço:
No inferno se me troca o pensamento;
Céus! Por que hei de existir, por que, se passo
Dias d'enjoo, e noutes de tormento?

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