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Sonetos

Guiou-me ao templo do letal Ciúme

Guiou-me ao templo do letal Ciúme
A Desesperação, que em mim fervia;
O cabelo de horror se me arrepia
Ao recordar o formidável nume:
Fumegava-lhe aos pés tartáreo lume,
Crespa serpe as entranhas lhe roía;
Eram ministros seus a Aleivosia,
O Susto, a Morte, a Cólera, o Queixume:
«Cruel! (grito em frenético transporte)
Dos sócios teus, no báratro gerados,
Dá-me um só, que te invejo, a Morte, a Morte:
— «Cessa (diz) os teus rogos são baldados:
Querem ter-te no mundo Amor, e a Sorte,
Para consolação dos desgraçados.»

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