Sonetos
Já de novo a meus olhos aparecem
Já de novo a meus olhos aparecem
A graça, o riso, as flores da alegria;
Já na minha teimosa fantasia
Cuidados que velavam adormecem:
Co'a verdade ilusões se desvanecem,
Qual foge o triste mocho à luz do dia;
Previdente Razão, porém tardia,
Já sobre esta alma teus auxílios descem.
Como, cega paixão, nos persuades!
Quando em Márcia não vi senão beleza
Julguei que dava glória às divindades:
Mas de sacro fulgor co'a mente acesa
Noto-lhe o coração, e as falsidades,
Vejo que faz injúria à Natureza.