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Sonetos

Voaste, alma inocente, alma querida

Voaste, alma inocente, alma querida,
Foste ver outro sol de luz mais pura,
Falsos bens d'esta vida, que não dura,
Trocaste pelos bens da eterna vida:
Por Deus chamada, para Deus nascida
Já de vãs ilusões vives segura:
Feliz a fé te crê; mas a ternura
C'o punhal da saudade está ferida.
Desgraçado o mortal, insano, insano
Em dar seu pranto aos fados de quem mora
No palácio do eterno soberano!
Perdoa, Anarda, ao triste que te adora:
Tal é a condição do peito humano;
Se a Razão se está rindo, Amor te chora.

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