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Sonetos

Lá onde o Fado impenetrável mora

Lá onde o Fado impenetrável mora,
Voa o menino Amor entre os Amores;
Loureja a trança, que matizam flores,
Cintila o facho, que a Razão devora:
Entra, saúda o nume, ao nume implora
Que de Marília os olhos tentadores
Vejam sempre ante as Graças, e os Louvores
De seus anos gentis surgir a aurora:
Fronte rugosa vezes três sacode
O deus, cujo poder tudo atropela,
E às súplicas d'Amor d'est'arte acode:
«Escape às minhas leis Marília bela,
Seja, seja imortal: durar não pode
O mundo sem amor, amor sem ela.»

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