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Sonetos

Magro, de olhos azuis, carão moreno

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno:
Incapaz de assistir n'um só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno:
Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) n'um só momento,
E somente no altar amando os frades:
Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram d'ele mesmo estas verdades
N'um dia em que se achou mais pachorrento.

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