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Sonetos

Marília, se em teus olhos atentara

Marília, se em teus olhos atentara,
Do estelífero sólio reluzente
Ao vil mundo outra vez o omnipotente,
O fulminante Júpiter baixara:
Se o deus, que assanha as Fúrias, te avistara
As mãos de neve, o colo transparente,
Suspirando por ti, do caos ardente
Surgira à luz do dia, e te roubara:
Se a ver-te de mais perto o sol descera,
No áureo carro veloz dando-te assento
Até da esquiva Dafne se esquecera:
E se a força igualasse o pensamento,
Oh alma da minha alma, eu te ofrecera
Com ela a terra, o mar, e o firmamento.

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