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Sonetos

Meia noute seria; eu passeando

Meia noute seria; eu passeando
No meu palmar chorava o meu destino;
Eis que ao som de um gemido repentino
Olho, e vejo uma sombra no ar girando:
Quem és, Guirá? (pergunto-lhe arquejando)
Quem és, quem és, oh Lêmure maligno?... —
«Sou o espírito (diz) de Saladino,
De quem já leste o caso miserando:
«De Grisalda as traições inda lamento
Da solitária noute entre os horrores,
E os olhos, mortal cego, abrir-te intento:
«Não soltes por Natércia mais clamores;
Sepulta a desleal no esquecimento:
Olha o trágico fim de meus amores!»

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