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Sonetos

Noute, amiga de Amor, calada, escura

Noute, amiga de Amor, calada, escura,
Eia engrossa os teus véus, os teus horrores;
Enquanto vou gozar de mil favores
Sobre o doce teatro da ternura:
Marília, mais gentil, e até mais pura
Que as ledas Graças, que as mimosas flores,
Velando às mudas horas dos Amores
Receia o casto pejo, que murmura:
Em deleitoso e tácito retiro,
Suspensa entre o temor, entre o desejo,
Flutua a bela, a cuja posse aspiro:
Ah! já nos braços meus a aperto e beijo!
Já, desprendendo um lânguido suspiro,
No seio do prazer se absorve o pejo.

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