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Sonetos

Quando meu coração de Amor vivia

Quando meu coração de Amor vivia,
(Ufana a liberdade em ver-se escrava)
E quando para mim se variava
O céu n'um riso, o céu n'um ai d'Armia:
Das escuras irmãs a mais sombria,
E que mais com seu peso o mundo agrava,
Na vista divinal, que me encantava,
Roubou luz à minha alma, e luz ao dia:
Não mais, Dor, fado meu, Dor, meu costume;
Cedo a paz gozarei, que o peito anela,
Nos olhos do meu bem, do céu já lume:
Junto à ninfa imortal na estância bela
Os dias perenais, que vive um nume,
Irei (nume em ser seu) viver com ela.

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