Sonetos
O filho do gran'rei, que a monarquia
O filho do gran'rei, que a monarquia
Tem lá nos céus, e que de si procede,
Hoje mudo e submisso à fúria cede
De um povo, que foi seu, que à morte o guia:
De trevas, de pavor se veste o dia,
Inchado o mar o seu limite excede,
Convulsa a terra por mil bocas pede
Vingança de tão nova tirania:
Sacrílego mortal, que espanto ordenas,
Que ignoto horror, que lúgubre aparato!...
Tu julgas teu juiz!... Teu Deus condenas!
Ah! Castigai, senhor, o mundo ingrato:
Caiam-lhe as maldições, chovam-lhe as penas,
Também eu morra, que também vos mato.